Você votaria em Michel Temer para presidente?

A peça publicitária do PMDB, usando de duplos sentidos, tenta mostrar um Michel Temer compromentido com a verdade e capaz de unificar as diferentes posições políticas do país. A peça afirma: o Brasil fez apostas erradas, precisa mudar de direção… Que é mudar de direção? Mudando o comandante? Mudando os caminhos percorridos de independência na diplomacia? Mudando o rumo da economia (mais concentração, menos distribuição)? Os sentidos postos em circulação pela peça publicitária são extremamente golpistas!!! Obviamente no mundo político é preciso fazer de conta que não, afirmar a lealdade do vice-presidente. Mas o mais inocente cidadão sabe que o PMDB, nesta peça, está tentando se habilitar como caminho possível. Afirma que o momento é de grandeza (FHC afirmou que Dilma Rousseff deveria ter o “gesto de grandeza” renunciando ao mandato). Diz que é preciso unificar o país (Michel Temer seguiria o modelo Itamara Franco de um governo de coalisão nacional). José Serra deve estar exultando: sabe que será o ministro coveiro do país se o PMDB atingir seus objetivos vendendo o possível e o impossível, obviamente sem qualquer interesse pessoal. Afinal ele disse ao jnornal Estado de S. Paulo que as empresas combinam preços, relativamente ao tremsalão, de modo que cartel só existe em obras federais. 

Quando eu imaginava que o golpismo tinha perdido força em nome da sangria durante o resto do mandato, de modo a acabar com Dilma, o PT e Lula, parece que Michel Temer, presidente nacional do PMDB, volta a por lenha na fogueira: quer uma renúncia ou um impeachmente via TCU… Ele precisa combinar isso com o Gilmar, Mentes que não pretende parar com a cassação dos mandatos de ambos, Dilma e Temer. 

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.