Violência simbólica gera reações

Os acontecimentos do depoimento que não houve, com a presença de manifestantes na Barra Funda, estão dando garganta para muitos comentários da imprensa golpista. 

Há um comentador econômico do Jornal da Globo, que é também âncora de uma programa radiofônico da CBN que hoje reclamou alto e bom som que não se pode admitir a violência do estilingue contra o boneco do ex-presidente Lula vestido como prisioneiro… 

Seria muito interessante que este tal de Sardas no Albergue (algo assim me soa seu nome) lesse Bourdieu, e descobrisse que existe uma violência simbólica. E que nas manifestações ‘ordeiras’ ela está presente, muito presente. Vestir como prisioneiro quem ainda sequer foi julgado – como se sabe, a direita já encontrou o culpado: ele é o Lula; agora falta somente achar o crime ou os crimes – é uma violência simbólica que pode gerar outros tipos de violência. Mas esta violência simbólica, algo que faz todo o dia a mídia tradicional, não é “violência”! É notícia? Mentir pode, mas usar estilingue não pode, porque o boneco é “propriedade privada”… 

 

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.