Qual embaixada, senhor senador?

Na divisão tripartite dos senadores brasileiros, dois grupos se definem com clareza: aqueles contra o impeachment por não verem crime de responsabilidade cometido por Dilma Rousseff, e aqueles que votam a favor do impeachment acoberdados por uma interpretação de fatos contáveis como empréstimo não autorizado, e por isso, um crime. Dívida paga com atraso é empréstimo, diz este grupo.

Mas há um  terceiro grupo, dito indeciso (aqueles que não quiseram responder obviamente, como o relator do processo, o senador Anastasia e o presidente do Senado, Renan Calheiros, pertencem ao segundo grupo coeso a favor do impeachment). Neste grupo de indecisos, um  deles chegou a declarar que somente definirá seu voto depois de uma conversa com o Temerbroso. Por que um senador quer uma conversa para definir uma posição sobre uma pergunta direta? E a pergunta direta que deveria orientar o voto é: houve crime de responsabilidade? A resposta é sim ou não, sem escapatória para os julgadores.

No entanto, uma conversa de pé de ouvido é que definirá posições. Para qualquer um que acompanha a política nacional, ou melhor, como fazem política no Brasil os políticos eleitos, sejam eles do partido que forem (“Não sobra um” como disse o criminoso e delator Sérgio Machado referindo-se ao PSDB), negociam posições. E negócio significa troca de ‘mercadorias’. Voto para lá, posição para cá. Por posição entenda-se: cargos comissionados, nomeação para embaixadas – agora está fácil abocanhar também este pedaço como mercadoria, com o novo Chanceler, o ministro da Chevron.

Que embaixada quer o senhor senador?  

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.