O PP, que tem no nome de Maluf seu símbolo, declarou apoio partidário ao impeachment. Seguido pela ratazana irmã, o PRB. Logo as ratazanas recém nascidas se pronuciarão seguindo seu rebanho de roedores que defendem “a grandeza dos interesses mesquinhos“. Enquanto isso e sob o olhar displicente da Justiça, o enriquecido Eduardo Cunha procura o efeito manada na forma com que chamará os deputados a votarem. Ele ainda imagina o Nordeste e o Norte como meros rebanhos que seguem a madrinheira e seu chocalho. Sabe-se que Nordeste e Norte ergueram a cabeça nos últimos anos e se tornaram independentes, o que é um crime de lesa-casa grande por cujos interesses Eduardo Cunha zela. É um erro imaginar que ele defenda apenas os alguns milhões que recebeu e continuará recebendo como propinas. Ele representa interesses maiores, em conluio com o traidor mor da nação, José Serra: o interesse mesmo está na reserva de petróleo. Como não somos uma democracia adulta, ao estilo da Noruega, é mais fácil atacar aqui do que atacar lá (ainda que lá seja mais lucrativo).
E assim, de ratazana em ratazana, eles virão, primeiro a cavaleiro do falso combate ao que sempre fizeram; em seu bojo, em seu cavalo de Troia, carregam o fascismo brasileiro; hoje policial e procurador amanhã exterminador e censor; e a gente andará de lado, mais e mais; até que uma geração se vá; e na velhice aqueles hoje jovens que enxergam curto, enxergarão que erraram na aposta; deram tiro no pé: o espaço que se abrirá à juventude será mínimo, apenas para mostrar que havendo mérito, há sucesso. E então os muitos apostadores que ficarão de lado, enxergarão o engodo. Mas será tarde, porque pouco tempo haverá depois de morderem o fruto amargo da decepção que hoje sonham ser doce. Há que pensar no amanhã, enquanto o presente flui e o passado mostra a insensatez da casa grande. O real crime de responsabilidade, não a corrupção consumada, foi ter colocado os pobres no orçamento: a luta contra a fome, a luta contra a miséria, a valorização do salário mínimo, a criação de oportunidades para o povo excluído: PROUNI, FIES, cotas nas universidades, Ciência sem Fronteiras. Oportunidades que levaram à pequena burguesa professora da PUC do Rio de Janeiro a fotografar um advogado na sala de embarque do aeroporto, querendo que ele viajasse de ônibus; que fez Danusa Leão (de quem se envergonharia para sempre Nara Leão) dizer que já não dava mais para ir a New York porque corria o risco de encontrar numa esquina o filho do porteiro do prédio! É em nome desta gente que eles virão.
E virão: os roedores estão famintos de barriga cheia – eles precisam também daquilo que foi gasto com os pobres. Uma faixa de manifestação me chamou atenção, dizendo mais ou menos isso: ‘parem de gastar nosso dinheiro com pobres’. É desta gente que se trata: historicamente egoísta, permantentemente mesquinha, ideologicamente fascista sem sabê-lo, enfim, uma massa cheirosa que vai às manifestações acompanhada de seus bebês empurrados em carrinhos por babás de uniforme. É esta gente que virá, para nosso desconsolo e para consolo dos ingênuos moralistas de hoje que não eram moralistas durante a privataria que enriqueceu os já ricos e distribuiu pedras (semi preciosas), serras (improdutivas) e barros (enlameadores) a seus apaniguados enquanto fez a população amargar serviços públicos sucateados, salários vilependiados, servidores públicos sem qualquer atualização de salários e universidades fazendo ‘vaquinhas’ para pagarem a energia elétrica de salas de aula e de laboratórios. É isto que voltará.
E eles virão, famintos disso.
João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.

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