O queridinho da grande imprensa brasileira tem pela frente um trabalho hercúleo. No ministério das relações exteriores, seu programa diplomático é marcado pelo pragmatismo comercial: tem troca, tem diplomacia. Ou melhor, a diplomacia é uma troca comercial. Para realizar seu intento, importam relações bilaterais. Isso de uniões regionais, fortalecimento de grupos, negociação mais ampla envoolvendo mais paises buscando assim maior força de pressão nas trocass, não interessam ao ministro da Chevron.
Assim lá foi ele à reunião do Mercosul. Pelo que a imprensa dizia (ou torcia para que fosse realidade), a simples presença da autoridade da Chevron mudaria os rumos do grupo. Pois deu com os burros n’água: a chnceler argentina, de quem se esperaria uma cômoda parceria neoliberal, deu um chega pra lá ao ministro da venda do pré-sal. Nada de mudar o modelo do Mercosul, particularmente no momento em que está em negociações com a União Europeia. E de uma forma sutil, põe na prateleira a proposta do ministro mais ovacionado pelo PIG: a ‘oferta’ de flexibilizar o Mercosul, caminho óbvio para desestruturá-lo liberando seu principal país para entrada submissa na ALCA “como tudo é explorável a médio e longo prazos”.
Ainda por cima, depois de ter satanizado o Mercosul por ser burocrático e obstáculo a negociações comerciais, eis que o representante da Chevron no ministério do Temerbroso teve que reconhecer: as negociações com a União Europeia não avançaram e não foi por culpa do Mercosul. “”Ao contrário do que se imaginava, o obstáculo a esse acordo não é o Mercosul”. Um ponto a favor do ministro: reconhece que satanizou muito rapidamente o que considera um ‘lulo petismo”; um Mercosul interessado em ser contrapeso e ter peso nas negociações comerciais internacionais multilaterais.
Serra, nosso coveiro-mor, viajou a Paris: destravar acordos com a UE e aproximar-se dos EEUU, na reunião da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico – OCDE. Seu entranhado e encorporado anexismo vê possibilidades não só de alinhamento incondicional à matriz, mas também quer ser parceiro do TPP – o tratado comercial Transpacífico. Enquanto não conquista diplomaticamente um litoral no Pacífico – a vleha ideia de alguma anexação a partir do Acre, no caminho para o Pacífico, o ‘radar’ comercial do atinado José Serra seria negociar através dos paíes latino-americanos (Chile, Peru, México) um modo de incorporação ao Tratado que a imprensa internacional tem apontado como um dos mais hediondos ataques às soberanias dos Estados, pois prevê não só julgamento das causas quando aparecerem diretamente na matriz, como prevê indenização dos Estados às empresas caso estes Estados resolvam mudar legislação ambiental ou trabalhista que possa reduzir a lucratividade das empresas! Realmente, regras assim benéficas para as grandes corporações (e para a geopolítica dos EEUU) merecem adesão incondicional do ministério temerbroso.
Mas há outro trabalho hercúleo que o queridinho da imprensa, diplomaticamente, terá que enfrentar. Acontece que no mundo não há um STF com uma Rosa Weber que proíba o uso da palavra ‘golpe’ para o afastamento da presidente eleita! E a grande impresa internacional – e inclua aí até o Financial Times – chamam de golpe o que está acontecendo no Brasil. Pois Serrinha da Chevron escreve cartas à imprensa para dizer que tudo segue o “rito da constituição”, como se seguir a forma fosse o mesmo que julgar o mérito da causa!!! A imprensa do exterior não é tão burra assim, como é a nossa comprometida imprensa tradicional. Eis um trabalho hercúleo.
E ponha mais peso ainda neste trabalho de Sísifo: o golpe veio para combater a corrupção e a cada segundo fica mais claro que o combate à corrupção foi e continua sendo um modo de engambelar trouxas para levá-los às ruas movidos por um MBL financiado pelos partidos que assumiriam o poder no afastamento dos 54 milhões de brasileiros que votaram em Dilma Roussef. Pois escreve o ministro da Chevron e seus embaixadores cartinha pra cá, caritnha pra lá, e sai mais uma gravação mostrando que o interesse não revelado do golpe foi e continua sendo blindar a corrupção dos “nossos” corruptos, como fez Brindeiro, o então engavetador geral da República, com todas as denúncias de corrupção nas privatarias neoliberais, muitas delas comandadas pelo Minstro da Chevron, José Serra.
João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.

Comentários