O jogo não acabou. No desespero, a violência judicial crescerá

O excesso de vaidade também leva à verdade por descuido. Foi o que ocorreu com este vaidoso pregador, que se diz um novo Neemias, e que tem por profissão ser Procurador, um membro do Ministério Público, que deveria zelar pela lisura (sua e dos outros). Pois acabou revelando o que todos já sabiam desde que se tornou famosa a frase do santo juiz de pau oco, Dr. Sérgio Moro: “Isso não vem ao caso”. Em entrevista a Ricardo Boechat, disse o procurador imberbe:  

“O PSDB não fazia parte da base aliada do governo do PT. Como o PSDB não fazia parte dessa base aliada, não foram indicadas pessoas do PSDB [para cargos] por exemplo como diretores da Petrobras. Não tem como achar na Petrobras corrupção de um diretor ou presidente até porque não existia diretores do PSDB”.

O argumento é tão imbecil que chega a causar espécie. É como dizer que FHC jamais foi presidente. É esquecer que Delcídio Amaral foi diretor da Petrobrás (representando a Shell na empresa) designado pelo governo do PSDB. É esquecer que quem foi rei, sempre será majestade… É esquecer as relações de poder que atravessam uma república federativa, como se não houvesse governos estaduais do PSDB, nem senadores (um deles famosíssimo pelos 23 milhões depositados na Suíça, isso sabido sem investigação alguma), nem deputados. Como se o poder numa república fosse imperial!!!

Como o PSDB não tinha (mas teve) diretores na Petrobrás, então o PSDB está fora do alcance da Lava Jato!!! Mas e se as delações apontassem para políticos do PSDB, mostrando que receberam propinas??? Mas se as empreiteiras dissessem que seus departamentos eram apartidários, e trabalhavam com todos os partidos? Bom, aí viria a famosa frase moriana: “Isso não vem ao caso!”

Depois disso, se alguém ainda duvida que a Lava Jato não é uma investigação contra a corrupção, mas um braço auxiliar importantíssimo e excepcional, com direitos a excepcionalidades e a ilegalidades, com cunho partidário e golpista, então esse alguém é um imbecil incapaz de raciocínio e talvez devesse ainda andar de quatro porque não atingiu o homo erectus em termos de capacidade de compreensão dos fatos…

Houve desvios de conduta durante o governo petista? Sim. E estão pagando com prisões e execrações públicas pela imprensa… Houve desvios praticados por governos do PSDB? Sim. Mas não estão pagando com prisões nem sofrem execração pública os seus agentes… Não há tremsalão em São Paulo. O “santo” da Odebrecht irá para os altares das igrejas da República de Curitiba. Será adorado por dallagnois grandes e menores… O senador José Serra, que diziam estar fora da casinha, mostrou que está muito bem, obrigado, conversando com os juízes que o julgarão no convescote comemorativo (ao preço módico de R$ 350,00) de posse do douto, sabientíssimo constitucionalista e chefe de polícia violenta, Dr. Alexandre de Moraes no STF. Está são, pode ser investigado… Será? O procurador geral da república somente pedirá abertura de investigação contra Aécio Neves às vésperas da prescrição dos crimes… para depois pedir arquivamento do que pediu! Assim funciona o PMPJ (Partido do Ministério Público e do Judiciário).

Enquanto isso, para o outro lado, uma perseguição incansável. Já definido o criminoso, busca-se com fervor e fé e convicção um crime. E não encontram depois de anos de investigação… Vão prender por causa dos pedalinhos dos netos!!! Ainda que alguns digam

“O jogo acabou, doutor Moro. Lula não é ladrão; e o desespero e a perseguição são péssimos conselheiros. E por quê? Porque quando um juiz, procuradores e delegados não encontram nada que implique Lula em malfeitos e corrupções, mas mesmo assim continuam com a insistência para incriminá-lo, o servidor público perde sua autoridade, porque age e atua a perseguir o cidadão, mesmo a saber de sua inocência. Acabou, doutor Moro. Não há mídia golpista como esta que viceja no Brasil que possa, indefinidamente, manter a crença de que Lula é corrupto ou ladrão. Não há condição para tal covardia e perseguição sem fim, doutor Moro.” (Davis Sena Filho, blog Palavra Livre)

Infelizmente, o jogo não acabou. Tornou-se violento como mostrou a condução coercitiva e ilegal do blogueiro Eduardo Guimarães, a mando do juiz com direitos a excepcionalidades e a ilegalidades, que ele não se furta de praticar. 

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.