O imperador Augustus e a delação

“A menos que eu esteja plenamente convencido de que um delator não pode tirar nenhum proveito indireto ou direto das suas acusações, mas que agiu unicamente por espírito social e patriótico – não somente eu não concedo nenhum valor a seu testemunho, mas assinalo o seu nome com um traço negro e não dou nunca a esse homem nenhuma missão de confiança…” Augustus, Imperador Romano. (63 a.C. – 14 d.C.)
 
De forma contra augusta, premiamos a delação. E há até juízes que não precisam de provas para confiarem absolutamente na delação que premia o interesse do delator. Aliás, Tiberius que sucedeu a Augustus agia como agem os juízes de hoje em relação aos delatores: premiava-os con um quarto dos bens dos delatados. Aqui se premia com penas menores a não serem cumpridas.

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.