O que aqui jamais acontecerá, e no entanto que falta nos faz melhorar a imprensa brasileira!
Nos idos de 1967, estavam reunidos Julio Cortázar, Ángel Rama, Mario Vargas Llosa, David Viñas, Roque Dalton, Fernández Retamar e Mario Benedetti, em Havana, com a presença de Fidel Castro. Os escritores haviam ido participar da comissão julgadora de um concurso literário organizado pela Casa de Las Américas e discutiam questões literárias e o andamento da cultura na revolução. Levantou-se o problema de que ali existia um só jornal, porta-voz do governo:
Então perguntei a Fidel Castro: Por que o jornalismo cubano é tão ruim? Ele reconheceu sem rodeios: “Você tem razão, creio que é tão ruim que eu, para saber o que acontece no mundo, tenho que ler a imprensa estrangeira. Mas agor, eu faço outra pergunta: Por que você não fica aqui para melhorá-lo?”
(Míriam L. Volpe. Geografias do exílio. Editora UFJF, 2005)
POESIA
passado presente
Ilusório regressar,
pelos caminhos de agora,
aos dias que se apagaram.
O rosto de ontem mudou.
Lugar que foi, não é mais.
O viver é diferente.
Somente em nós, tudo existe
e não se extingue jamais.
Tempo guardado em lembranças,
a saudade nos devolve
todo o presente de outrora.
(Helena Kolody. Sempre palavra. Edições Criar)
João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.

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