Novidades antigas: escritura, língua fascista, etc.

PONTO

“Este novo marxismo se aproxima de (na verdade, em parte promove) um “pós-estruturalismo” que se concentra em textos, signos e significantes como a matéria-prima da interpretação. Na medida em que este método, inspirado por Jacques Derrida e Roland Barthes, coloca que “não há nada externo ao texto” e “a interpretação de qualquer cadeia de significantes é necessariamente apenas outra cadeia de signos”, ele tanto abdica da preocupação com um contexto social ou material – ou deixa de avaliar sua importância – quanto encoraja infinitas espirais de comentários”. Russel Joacoby. Os últimos intelectuais. São Paulo : Trajetória/Edusp, 1990, p. 185)

CONTRAPONTO

“Na realidade, não são palavras o que pronunciamos ou escutamos, mas verdades ou mentiras, coisas boas ou más, importantes ou triviais, agradáveis ou desagradáveis, etc. A palavra está sempre carregada de um conteúdo ou de um sentido ideológico ou vivencial. É assim que compreendemos as palavras e somente reagimos àquelas que despertam em nós ressonâncias ideológicas ou concernentes à vida”. (Bakhtin/Volochínov. Marxismo de Filosofia da Linguagem. São Paulo : Hucitec, 1982, p. 95)

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.