Garantido para sempre, Alexandre Morais vai ao STF

Voltamos aos bons tempos. Aqueles em que a indicação de um ministro ao Supremo não nos surpreendia pelo nome desconhecido do público leigo, mas reconhecido pelo saber e ação nos meios jurídicos. Nos bons tempos de antes, o indicado era sempre algum nome público procedente das hostes do executivo, mas isentos como é, por exemplo, Gilmar Mendes.

O PSDB perde um militante de peso, vindo das hostes de Geralodo Alkmin. Afinal, os tempos estão sendo cruéis e delações podem apontar para o alto, não mais para agremiações partidárias ou para diretores de segundo escalão! Então, dentro do programa proposto por Romero Jucá de estancar a sangria provocada pela Lava Jato, indica-se um ex-secretário de segurança pública de São Paulo (um estado modelo em segurança pública e em execuções), que passou rápido pelo Ministério da Justiça – onde recentemente recusou auxílio ao estado de Roraima e depois teve que engolir a oferta deste mesmo auxílio pelo seu chefe! Um sujeito sensível, pronto nas respostas, ponderado e realmente de alto preparo jurídico para o cargo de Ministro do STF.

Toda vez que os governos Lula ou Dilma indicavam algum membro para o STF, a imprensa alardeava que se tratava de indicação de amigo, de político, de defensor do grupo que ocupava o Executivo. Pois assim foi com Joaquim Barbosa, que agiu o tempo todo beneficiando líderes do Partido dos Trabalhadores, usando inclusive de sua prerrogativa de desmembrar o processo, criando “O inquérito sigiloso de número 2454 correu paralelamente ao processo do chamado Mensalão, que levou à condenação, pelo STF, de 38 dos 40 denunciados por envolvimento no caso, no final do ano passado, e continua em aberto. E desde 2006 corre na 12ª Vara de Justiça Federal, em Brasília, um processo contra o ex-gerente executivo do Banco do Brasil, Cláudio de Castro Vasconcelos, pelo exato mesmo crime pelo qual foi condenado no Supremo Tribunal Federal (STF) o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato.” Aliás, este como aquele não tinham direito a foro privilegiado para serem jultados diretamente pelo STF.

Neste processo que corre em segredo de justiça, comprova-se a execução dos trabalhos contratados pelo Banco do Brasil/Visa cuja realização foi negada durante o grande Mensalão! Como se percebe, Lula e Dilma nomearam o amigo Joaquim Barbosa para o STF. Também nomearam Cármen Lúcia, atual presidenta que conhece bem a língua portuguesa. Nomearam Ricardo Lewandowski que, como todos sabem, agiu de forma parcial na condução da sessão de impeachment da Presidenta Dilma. Ganhou o prêmio do aumento salarial negociado para o judiciário. E assim sucessivamente com Fachin, com Barroso, Dias Tofolli, este com votos que sempre acompanham Gilmar Mendes.

De modo que se esperam aplausos no meio jurídico com a indicação de Alexandre Morais para o STF. A mídia não só aplaudirá! Fará o máximo para mostrar o preparo do já quase ex-ministro da Justiça para o cargo que ocupará, onde atuará com a mais absoluta isenção, como o fizeram os ministros nomeados por Lula ou Dilma. Aliás, isenção e rigor como não veremos com facilidade na história da Corte!

Temer, seus ministros envolvidos nas delações, os políticos citados que compõem a base aliada, todos devem pôr suas barbas de molho: o ministro Alexandre Morais vem aí… mas sem nenhuma necessidade de provar ao pensamento de direita que é um deles! Não precisará prestar serviço. Julgará tudo com isenção dentro do grande modelo de ministro que é Gilmar Mendes, jurista que sempre nos espanta com seus fundamentados votos e pedidos de vistas nos processos polêmicos submetidos à Corte Suprema. 

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.