Eu não irei à manifestação do dia 13/03/16

Para aqueles de pensamento à direita que brindaram meu último post com elogios, aviso: quando perguntei se a governabilidade comprada foi apenas para as políticas de inclusão, não estava contra estas políticas – eu queria e continuo querendo bem mais do que isso. No mínimo uma sociedade alfabetizada, uma sociedade capaz de ir além de escrever SMSs. na superficialidade do uso da tecnologia hoje disponível. Uma sociedade capaz de não ficar nas redes sociais, mas ser capaz de ler a imprensa alternativa. Obviamente, com os governos da elite, que sempre esteve e continua estando no poder, nenhuma política social se fez além daquela em benefício dos já ricos. Mas meu sonho – e afirmei que continuava sonhando – ia além disso. No mínimo, que o MEC não continuasse uma agência de avaliação; no mínimo que o governo petista ouvisse um pouco, bem pouquinho mesmo, seus intelectuais. Não os alijasse em benefício da manutenção das mesmas assessoria e do mesmo ponto de vista do governo anterior. 

Agora os acontecimento se precipitaram. Levar Lula para depor sob a vara do mandato do juiz Sérgio Moro é um exagero: ele tem endereço conhecido… Jamais a direita levou Maluf a depor desta forma, e este nome deu origem até ao verbo “malufar”, que significa “furtar”. Mas ele é o “nosso corrupto” para a direita que Sérgio Moro tão bem representa. O império da lei vale também para a PF, para o MPF, para o juiz Sérgio Moro. Eles não estão acima da lei. Só num estado militarista, fascista, nazista, a gente veria uma operação com a desencadeada hoje pela manhã por ordem de Sérgio Moro, aquele que se vesta como os fascistas italianos. 

Afirmei que deixo de apostar. E deixo mesmo: penso em voltar a meus sonhos mais caros da juventude. Reverenciar Chê. Para além de uma hecatombe da natureza (já nos deu todos os sinais de que ela surgirá), somente um pensamento revolucionário poderá mudar nosso modo de convívio e as estruturas sociais. Não sou reacionário (que sempre olha para trás, querendo manter o status quo), sou revolucionário (e nós olhamos para frente, num horizonte bem mais amplo do que aquele que nos ofereceu, com certa justiça em suas políticas sociais, o governo petista que vem se encerrando). A direita sairá da história; a via de mudança pelo voto parece também mostrar que sairá da história brasileira. 

Quando virá a mudança? Ninguém sabe, mas ela virá. 

 

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.