Nos dias presentes, com tanta coisa acontecendo de ruim neste velho mundo e nesta terra de Santa Cruz, temos uma notícia espetacular que abre sorrisos de esperança no futuro. O universo é amplo, bem amplo, mais do que nossa vã imaginação poderia elaborar.
Se não, vejamos: quem diria há alguns anos que os tempos poderiam se tornar temerbrosos? E no entanto se tornaram. Quem diria que os empresários ficariam insatisfeitos com sua bolsa de apenas R$ 270 bilhões anuais? Pois ficaram. Quem diria que alguém fosse eleito com um discurso, e tentasse executar outro projeto? Pois aconteceu.
Os bósnios de Sarajevo chamavam seus políticos de ‘moleques’. Por cá, não os há.
E a esperança, fica por conta de quê? Da NASA. Temos onde morar, temos para onde ir. Há 23 exoplanetas em zona habitável. Todos fora do sistema solar – por isso exoplanetas. Só nos falta saber como chegar lá… mas há para onde ir, e isso é importante quando vivemos tempos de destruição do que temos: das relações entre as pessoas, substituídas pelo virtual; das transformações de sujeitos plenos em sujeitos do consumo ; das democracias conquistadas a suor e sangue tornadas dispensáveis e substituídas por ‘moleques’ que pretendem implantar um regime jurídico-policial, o pior possível – aquele mesmo que Hitler implantou na Alemanha. Mas há destruições maiores ainda: aquelas que tornaram as sementes improdutivas para garantir lucros constantes em transgênicos; aquela dos animais postos em extinção; aquela sobremaneira importante e desejada pelo modo de exploração do planeta – a destruição do próprio planeta desde que gere lucros às grandes corporações.
E então se fez a luz: destruído este planeta, os mesmo aqui beneficiados viajarão em longa viagem para refundar tudo num exoplaneta. Como são acostumados à vida boa e à exploração, terão que levar alguns menos favorecidos para lhes prestar serviços (uma grande chance para a classe trabalhadora é ser incluído na lista, sujeitos sortudos). Também estão acostumados a seus luxos de consumo! Será necessário preparar o terreno para que cheguem como descobridores e fundadores. Então se lhes anteciparão na viagem as grandes corporações e suas fábricas; suas construtoras e seus operários que morrerão na construção atrapalhando o tráfego. E então eles, os limpinhos, os incorruptíveis, os democratas, os não fisiológicos – porque lá há de haver um PSDB – para ocuparem os espaços à força, com juízes togados e outros menores, sem votos, mas extremamente competentes para venderem sem se deixarem atrair por contas na Suíça, por favores especiais, por honrarias irremediavelmente merecidas.
Para nós, os mortais, qual será o exoplaneta possível e imediato, hoje, agora, aqui e que seja perto, atingível por uma viagem pouco longa??? Em algum exoplaneta existem Uruguai, Portugal, Escandinávia???
João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.

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