Domingo: poesia e reflexão

 

REFLEXÃO

Em tempos negros de golpes locais e enterro da solidariedade entre os povos, nada melhor do que pensar na história com o olhar bakhtiniano:

“No Tempo Grande nada desaparece sem deixar sinal, tudo renasce para uma nova vida.” (Mikhail Bakhtin. A contemporaneidade e o fanatismo. In. Louiza M. Boukharaeva. Começando o diálogo com Mikhail Mikhailovitch Bakhtin. Editora da UNIJUÍ)

 

 

POESIA

 

VERSOS DO PRISIONEIRO – A SETENÇA

Você

tem que aprender

a respeitar a vida humana, disse o juiz.

Parecia justo.

Mas o juiz

não sabia que, para muitos,

a vida não é humana.

O prisioneiro retorquiu:

há muito me demiti de ser pessoa.

E proferiu, por fim:

um dia,

a nossa vida será, enfim,

viva e nossa.

(Mia Couto. Idades cidades divindades. Lisboa : Caminho, 2007)

 

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.