Alexandre Costa postou ontem, aqui, um texto a propósito deste blog, do que aqui se publica, festejando os 500 assinantes!
Sinceramente, não sei dizer se o número de assinantes é ou não significativo. Mas posso contar um pouco desta história de um ano de blog. Infelizmente não consegui acessar aqui – e vejam como entendo do funcionamento da tecnologia – ao primeiro texto postado. Lembro que escrevi algo brincando com a palavra Passagens: aqui não haveria mais do que passagens em muitos sentidos – passagens de reflexões sobre o que nos acontece; passagens como discursos relatados, extraídos de outros tantos textos; passagens de leitores pelas palavras aqui deixadas. Todas as passagens deixam rastros, e os rastros simbólicos são de difícil apreensão. Que fazem leitores quando produzem suas leituras dos textos aqui expostos? Esta é uma pergunta que acompanha todo aquele que escreve em qualquer lugar! E ela retorna sempre e nunca encontra uma resposta suficiente.
Alexandre Costa me agradece porque aceitei seu desafio. Primeiro me contatou querendo me prestar uma homenagem: chamar a seu grupo de “Portos” em referência a meu livro Portos de Passagem. Logo depois de convita para ter no portal um blog! Nunca me imagenei escrevendo com tanta frequência, quase a frequência do comentarista diário de jornal. Estava então – como estou agora – na pequena Roskilde, cidade-satélite de Copenhagen, onde vive minha filha, meu genro e minhas netas Sophia e Laura. Ao aceitar o convite para escrever, disse-lhe que não conhecia nada de internet. Era um correspondente: sabia lidar com email!!! Raramente entrava num site. Até hoje não sei usar Whatsapp… para risos da minha companheira Corinta!
E comecei a escrever: crônicas que incluíam naquele momento viagem de passeio que fazia pelo Báltico. Mas sempre com referência à situação brasileira que sempre acompanhei e que, na minha área de atuação como professor universitário, nunca deixei de tentar construir algo novo numa sociedade que tem uma elite nada generosa. É que provenho de baixa camada, segunda geração de imigrantes. Estudei à noite desde o ensino médio, aliando estudo e trabalho. Fiz faculdade no interior. Só tive convívio com uma universidade quando consegui uma bolsa de estudos concedida por uma entidade alemã vinculada à igreja e que me permitiu fazer o mestrado. Mais tarde virei professor desta universidade a que cheguei assustado. Tive um aluno, hoje grande amigo, que me dizia que eu dava aulas como um professor secundário. Acho que nunca deixei de sê-lo.
Mas me desvio: o blog me fez bem. Obrigou-me a escrever e me alegrou por escrever. Acompanho – quem não acompanha? – o número de acessos e às vezes fico surpreendido, particularmente com a quantidade de pessoas que chegam aos textos, particularmente aqueles qeu tratam do ensino e da escola. O que me revela: meus litores são professores. E preciso dizer ao Alexandre que fico feliz em estar com eles, como sempre fiquei no passado. Apagado na aposentadoria, a oferta generosa do Alexandre Costa me recuperou a alegria de estar vivo. Beirando os 70 anos, preciso agradecer a oportunidade que me deu e agradecer aos colegas professores que me receberam e me recebem generosos.
João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.

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