Desmantelar a rede estadual paulista de ensino básico

 
Com o beneplácito da imprensa comprometida com o governo tucano do Sr. Picolé de Chuchu, está em andamento uma reforma da rede estadual de ensino básico que levará ao fechamento de uma centena de escolas já neste ano, com a dispensa e o desemprego de professores e com a transferência de alunos para outras escolas onde frequentarão salas de aula superlotadas, bem ao gosto da “melhor qualidade” da educação destinada aos pobres.
 
Estes governos que em lugar de administrarem com arrojo, buscando aliviar as condições de vida da população, agem como velhos guarda-livros (nome antigo que se dava aos contadores, mas sem qualquer demérito a essa profissão que já exerci na vida) que se preocupam apenas em fazer equivalerem débito e crédito.
 
Este tem sido o espírito tucano, sua receita de eficiência, fazer bater débito e crédito. Quando não conseguem, vendem, alienam patrimônio público. E usam isso como receita prática. Agora chegaram às escolas: para economizar, transferem e amontoam alunos, pobres de preferência, e fecham escolas cujos prédios certamente serão alienados.
 
Quando não houver mais o que vender, o que farão estes guarda-livros que assumem funções para as quais não tem o menor espírito? Venderão as obras dos museus? Venderão, como tentou o então prefeito de S.Paulo, depois governador, hoje coveiro mor do país, José Serra, privatizar os cemitérios públicos da cidade de São Paulo?
 
E quando não houver mais cemitérios, como administrarão os tucanos? Quando não sobrar mais nada, irão para exterior usufruir de suas rendas numa vida tranquila e felizes por terem prestado um bom serviço de concentração de renda dos poderosos, atualmente nossos beneméritos banqueiros? Residirão na Suíça?
 
Infelizmente este fim está longe porque há muitos prédios escolares para serem vendidos neste país! Quando venderem tudo, eles atingirão seu maior sucesso: transformar a sociedade brasileira, que se constituirá apenas de banqueiros e seus apaniguados e uma multidão de miseráveis de preferência com baixa e ruim escolaridade.

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.