“Políticos e fraldas devem ser mudados frequentemente e pelas mesmas razões”.
Eça de Queiroz
É isso mesmo! Perfeito! Genial, estimado e saudoso Eça. Há coisas da história humana e das maravilhas da natureza que só os poetas e os artistas têm dotes e talentos capazes de representar e reproduzir esteticamente e cientificamente os sentidos reais, com sensibilidade emocional, sentimental e com inteligência mais elevada e exata.
Ainda hoje – prenúncio da “fase planetária” da sociedade – continua a mais pura verdade o que o poeta Eça de Queiroz disse e escreveu há mais de um século. Porém, é preciso muita atenção para o paradoxo, o disparate intrigante na relação real das partes, quer dizer, a parecença das fraldas com os políticos.
A diferença entre as duas coisas é evidente. A parte material comum que produz o mau cheiro e o nojo – o xixi e o cocô – é inquestionável. Já, a parte da ação, do procedimento, do ato de fazer, é complexa. Chata e nojenta, para dizer a verdade.
Os bebês, os adultos – velhos deficientes – fazem xixi e cocô nas fraldas. E os políticos e as políticas fazem onde? Que quantidade de xixi e cocô eles produzem e quanto cobram e ganham para fazer “cagadas” muitas vezes por dia?
E tem mais: fraldas, tanto de bebês como de adultos e velhos inválidos, qualquer um sabe e é capaz de trocar – mulheres, homens, jovens, adultos, ricos, pobres…, embora, espertamente, por dominação masculina, os homens da nobreza e da riqueza, ao longo da história, determinaram tais serviços às mulheres. Mas, tudo pode mudar. Não muito, ainda.
Agora, cá pra nós, mudar os políticos malcheirosos frequentemente é extremamente complexo e difícil. Complicado e perigoso. É uma luta que depende da ação, da vontade, do movimento individual e coletivo, da práxis de milhares, até de milhões de pessoas já crescidas, dotadas de juízo e portadoras de arma – os eleitores. Sim, esses seres humanos que votam e elegem os políticos. Assim, legalizam e legitimam o poder, o espírito maligno de poucos que mandam e determinam os programas de privilégios de classe dominante. E quando – raramente – elegem políticos que instituem programas sociais, os três poderes da nação liquidam com esses políticos do povo.
Para mudar os políticos é preciso mudar o modo de pensar dos eleitores e das eleitoras. É uma missão pedagógica difícil e demorada. Ocorre somente na correlação de forças. Os professores da pedagogia de formação política são poucos e pouco preparados. Os alunos – eleitores e eleitoras – são omissos, distraídos, desatenciosos. Verdadeiros analfabetos políticos. Não querem, não têm interesse de aprender a votar. Pensam que a política é coisa suja, mas não sabem que toda política é obra dos políticos que eles elegem. Isso causa uma tristeza profunda para quem usufrui um pensamento crítico, goza e vivência uma cidadania informada e ativista.
E daí? O que fazer? Como a realidade não cai do céu, primeiro, vai um alerta, depois um pedido aos políticos.
O alerta é sobre o fato segundo o qual a luta de vocês – vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores, prefeitos, governadores e presidente, e seus ajudantes coroinhas, aparentemente puros e santos – em sua grande maioria, é a busca incessante dos privilégios próprios e das classes de que vocês fazem parte e protegem – uma perpetuação da hegemonia das classes dominantes minoritárias à custa e em prejuízo das classes populares. Vocês governam e legislam em benefício próprio e dos que financiam vossas campanhas e mediam a apropriação de dinheiro público.
O pedido é bem mais claro e simples. Senhores políticos e senhoras políticas, não desviem e não roubem dinheiro público, não se apropriem do bem comum de todos. O pedido é para o bem de vocês e para as melhores condições de vida melhor de todos.
Muito obrigado por atenderem ao pedido. Só assim poderão continuar políticos éticos, legais, legítimos, morais e honestos.
Professor, pesquisador, escritor
José Kuiava é Doutor em Educação pela Faculdade de Educação da Unicamp (2012). Atualmente é professor efetivo- professor sênior da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Planejamento e Avaliação Educacional, atuando principalmente nos seguintes temas: autobiografias.inventário da produção acadêmica., corporeidade. ética e estética, seriedade, linguagem, literatura e ciências e riso.
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