Autoritarismo da social democracia

O véu caíu. Vazou um vídeo da reunião na Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo. O chefe de gabinete instruiu os apaniguados coordenadores regionais, preparando-os para a guerra que tem pela frente: desmobilizar e desmoralizar os estudantes que ocupam escolas; criminalizar professores que os apoiam; destruir, se possível, pela via jurídica o sindicato dos professores. Enfim, um emaranhado de convocações à guerra!!! 

O governo da social democracia se mostra muito pouco democrático. Não quer diálogo algum, embora o mesmo sujeito com sua cara de pau apareça na TV dizendo que estão abertos ao diálogo! E querem propostas que substituam a sua. Como se deixar as escolas funcionando, não fechar escolas, não transferir 311 mil estudantes para outras escolas não fosse já uma proposta!!! A oposição à proposta da SEC/SP é pela manutenção das escolas e dos seus alunos e professores. Isto é uma proposta, se o senhor chefe de gabinete não sabe! Aliás, por que não apareceu o feio secretário de educação? Feio em todos os sentidos possíveis: autoritário, dono da verdade, etc. etc.

A divisão por faixa etária, justificada não se sabe em que teoria pedagógica, é um engano! Como se sabe, o convívio entre faixas etárias distintas é fundamental para o crescimento das crianças, dos jovens e dos adolescentes. Criar uma redoma de vidro de uma mesma faixa é querer esconder a pluralidade da vida social, da vida familiar. Esconder o sol com a peneira. Sabe-se desde Vigotski que aprende-se sempre com os outros que estiverem mais adiante. O desenvolvimento exige a pluralidade. Reunir por faixas etárias, depois por sexo, depois por classe social, depois por o que quer que seja, é atitude reacionária, construtora de guetos. Bem ao gosto da “eficiência” tecnocrática dos “competentes” incompetentes.  

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.