O presidente usurpador deveria restringir-se, definitivamente, a falas protocolares em cerimônias fechadas nos Palácios. São ocasiões suficientes para dizer asneiras. Afinal, há tanta posse de ministros e se ele mesmo cumprir o que prometeu, outras posses virão em breve.
Mas ninguém consegue desenhar direitinho para ele um script de fechar a boca, e não nos com as asneiras misóginas que compõem todo seu cérebro! Já falou que a mulher é muito importante para a economia, porque frequenta os supermercados e sabe os custos da vida… agora vem a público, dando entrevista exclusiva ao Ratinho (ao Ratinho, senhor presidente? Seria vontade psicanalítica de falar com a república de Curitiba? Pobre Curitiba!) para dizer que o marido impõe a restrição de gastos nas famílias brasileiras – a mulher é uma gastadeira! – e que o governo deve ser igual ao marido constritor!!!
Constrangedor ter um presidente com tamanha cultura social! ?Com tamanha incapacidade de explicar suas opções na política econômica. Nem a atitude de guarda-livros (que me desculpem os contabilistas) é capaz de reproduzir, ao estilo de governo do PSDB, onde débito e crédito tem que bater!!! Aliás, estes tais supostos administradores competentes, engravatados, em geral de camisa social azul ou branca, não passam de guarda-livros que querem um balanço fechado a cada ano, débito (supostamente sempre gastos) e crédito (arrecadação) devem se igualar centavo a centavo!
Em termos macroeconômicos – seguindo o modelo ‘marital’ do Usurpador – é uma asneira abismal. Não um Executivo que projeto para o futuro, mas um “marido” que sobreviva o cotidiano do mês e do salário!
Casais, reunidos maridos e mulheres – se ele não sabe que não estamos mais no Século XVIII com resquícios que chegaram ao começo do Século XX na aristocracia em derrocada é urgente que alguém o avise! – planejam o futuro (não vivem o presente da equivalência do débito/crédito), fazem dívidas comprando casa, móveis, utensílios duráveis, carro (sempre um sonho do brasileiro que não dispõem de transporte público decente). Fazem dívidas e quando é preciso espichar o orçamento, correm atrás de outros serviços, aumentam a entrada.
Mas nada disso conseguem fazer os “administradores” austeros e incompetentes: vendem imediatamente um bem – seja qual for, incluindo a honra – para reequilibrar as contas empobrecendo o país que não é deles!!! Se julgam com direito divino de dispor do futuro de todos, vendendo, vendendo, vendendo… E quando não houver mais o que vender??? O “marido” presidente ou Ministro na Fazenda vai para as ruas sofrer a amargura a que reduziram os seus “jurisdicionados” como gosta de se referir ao povo a Sra. Presidenta do STF.
Não vão pra rua não… vão para “Miami” usufruir do resultado das vendas, das contas suíças. O fantasma que voltou a perambular pelo Senado pode explicar os caminhos… Mas deverá ser didático (com o perdão da palavra), desenhar direitinho, porque do contrário o Michel Temer não entende!
Mas entende como desbaratar dinheiro a rodo, ele e sua “bela, recatada e do lar” Marcela: afinal em tão pouco tempo já debitaram no cartão corporativo alguns milhões de reais… Acima de 20 milhões em um ano!!! Ainda bem que o mandato dele é curto, como curta é sua compreensão da economia e da administração do futuro.
Um presidente que se gaba por ter uma rejeição que ultrapassa 90% da população e que graças a esta rejeição se considera apto a impor à nação o que bem entender o seu Ministro da Fazenda, o regente efetivo das contas e banqueiro inveterado, não é um presidente. É um preposto! De quem???
João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.

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