O Interdito Proibitório, cuja origem é o gabinete bem comportado e submisso de Rafael Greca, atual prefeito de Curitiba, e que obviamente foi despachado favoravelmente pela justiça paranaense, aquela que não é cega de um olho – ela só vê de um lado, do outro cegou definitivamente – proíbe a livre expressão, a opinião, o direito de ir e vir!!!
Quando a política é judicializada e o judiciário se tornou um partido político, tudo é possível. Os outdoors – os trinta espalhados pela cidade – já definiram o veredito, mesmo com investigação em curso, investigação demorada que não consegue arrebanhar provas mas apenas “delações” que beneficiam os delatores-criminosos.
Mas os outdoors não são retirados pela Prefeitura do palhaço Greca – provavelmente há um ato secreto da administração municipal permitindo a presença destes outdoors “comovedores”, coração vermelho – a cor que estes mesmos manifestantes andaram proibindo jogando pedras até em bebês com roupas vermelhas! Talvez este seja um sinal psicanalítico: no fundo, no fundo, eles gostam do vermelho!
A semana promete barulho. Os apoiadores do ex-presidente não podem chegar nem perto do Foro, que dirá da longa Vara do santo e imparcial juiz. Obviamente, o que Lula disser no depoimento, particularmente se pedir que o Ministério Público apresente provas, será considerado um desacato à autoridade magnífica de procuradores e do juiz, o que permitirá a este último “dar voz de prisão”. Certamente a Valor, a Época, a Veja, a Rede Globo serão informadas previamente para não perderem a cena. Possivelmente há até algum sinal combinado, um olhar o gesto significativo dizendo “é agora”.
Lula é culpado? Bom, pela teoria do “domínio do fato”, todos aqueles que têm alguma posição hierárquica com subordinados são culpados por todos os atos cometidos por estes subordinados. E como já se sabe, o princípio jurídico da vez é: “Lula será preso porque não encontramos provas contra ele”. A convicção permite. Os depoimentos hilariantes de Léo Pinheiro e de Duque são prova suficiente na longa Vara.
Enquanto isso tudo vai acontecendo no mundo antigamente jurídico, as pesquisas de opinião vão dando como certa a eleição de Lula em 2018, se eleição houver!!! Penso que não haverá. Com o receio da reação internacional – porque reação nacional não significa nada para o governo golpista – incluindo o mundo do Direito, sua magnificência, sua Alteza, o Altíssimo Sérgio Moro tenha que balancear entre a ordem recebida de prender e condenar e sua vaidade de se colocar diante do mundo como lídimo representante do Direito, o único direito.
Se a balança pender para a vaidade – e que ninguém diga que não há vaidade, pois apesar de ser Altísismo, ele ainda não está no trono da eternidade – “teremos” que resolver a situação de modo diferente, talvez uma apressada no TSE cassando a chapa Dilma/Temer, uma eleição indireta consagrando Sérgio Moro e uma PEC aprovada por um Congresso que aprova tudo, suspendendo as eleições de 2018 e dando ao “eleito” um prazo tão indeterminado quanto são suas prisões preventivas – que podem ser eternas – para que faça “a ponte com o futuro” neste país desgraçado, cujas lideranças vestidas de azul e branco detestam e sonham com a cidadania francesa (os mais chegados a FHC) ou norte-americana (os mais chegados ao fantasma José Serra) ou suíça (os mais chegados a Eduardo Cunha e seu comparsa Michel Temer).
Desgraça pouca é bobagem! Estejamos de ouvidos atentos que o barulho começa hoje, em Curitiba, a partir das 23 horas segundo o Interdito Proibitório do culto e conservador Rafael Greca!
João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.

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