À nação, a razão

Há momentos na história de um povo em que se torna premente o aparecimento de lideranças que façam avançar a sociedade. Gandhi, Mandela, Luther King são alguns nomes-ícones.

Na falta destes, o Brasil está merecendo que ao menos aqueles que historicamente tiveram responsabilidades políticas, independentemente de seus erros ou acertos na gestão pública, se dirijam à nação, em conjunto, para que se volte à razão, sem ódios político-partidários. Não se trata de querer uma união de interesses ou mesmo de perspectivas únicas para a nossa sociedade futura. Trata-se simplesmente de chamar à razão e à serenidade. 

Num ambiente infestado como aquele que vivemos no presente, com um incitamento ao ódio destilado diariamente nos meios de comunicação social e nas redes sociais; com agentes imbuídos de missão divina como paladinos da ética que não têm no exercício de suas funções à medida que deixam vazar seletivamente o que lhes interessa política e ideologicamente; com votações no Parlamento simplesmente para dificultar um governo legitimamente eleito; e com muito mais que circula pelo país, inclusive com uso de nomes de pessoas em apoio a eventos de que nem querem participar (acabo de ser vítima duma destas falcatruas perpretrada precisamente por aqueles que dizem se opor a falcatruas), estamos precisando, em defesa da democracia, que nossos ex-presidentes ainda vivos, venham em conjunto dirigir-se à nação em nome da racionalidade e da democracia, para clamar por serenidade e por avanços democráticos. Que falem Sarney, Collor, FHC e Lula mostrando-se um pouco acima da mesquinhez do quadro político brasileiro atual.

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.