O desastre de Mariana, com a lama soterrando Bento Rodrigues, repete outros desastres em que as empresas que são proprietárias da Samarco já estiveram envolvidas. A Samarco não foi vítima do rompimento da barragem! Ainda que a imprensa – com sua vontade de prestar serviços aos capital – tenha noticiado “terremotos”, “abalos sísmicos” ocorridos na região (infelizmente para a imprensa e para a empresa movimetnos comuns e muito leves para provocarem o acidente) numa tentativa de preparar a opinião pública para compreender a Samarco como “vítima”, não responsável. Acontece – e até o Estadão publicou, mas fez desaparecer imediatamente – que há um laudo de 2013 chamando atenção da empresa para a necessidade de maior segurança! Desde 2013!!! Segundo os diretores da empresa, eles estavam fazendo os reparos… Claro, não poderiam ter muitos gastos, afinal as pessoas de Bento Rodrigues não deveriam estar ali! Afinal, o Rio Doce não deveria estar onde está! Afinal, a fauna e flora que desaparecerão, os prejuízos ambientais para o litoral do Espírito Santo, tudo isso não deveria estar ali. Quem deveria estar ali era somente a Samarco e a ganância de retirar minerais com pressa para produzir lucros.
As multas que estão sendo aplicadas são justas. E merecidas. A Samarco debochou do laudo de 2013! Os sócios proprietários da Samarco (Cia. Vale e a anglo-autraliana BHP Billiton) debocham do ambiente. Quando tudo é reduzido somente ao econômico, quando tudo deve ‘salvar’ a saúde das empresas e garantir a miséria do planeta, esquecemos os valores da vida humana, que passa a ser meramente um estorvo ao “desenvolvimento econômico” de entesouramento dos ricos de sempre.
João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.

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