A FIESP VAI PAGAR O PATO QUE NÓS PAGAMOS?

O noticiário econômico atual está menos repetitivo do que o noticiário político. Neste, a gente já cansou de ver e ler os mesmos nomes. Até aqueles que deveriam falar somente nos autos, falam nas colunas políticas manifestando pontos de vista sobre fatos que estão julgando ou que podem vir a ser chamados a julgar. E falam sem qualquer vergonha, pois não têm a vergonha de posteriormente se considerarem ‘ineptos’ para julgar porque já opinaram sobre o assunto. Em regime de exceção, em regime jurídico-policial, isto tudo faz parte do cotidiano. Assim, as páginas políticas são ocupadas por Eduardo Cunha, Gilmar Mentes, Sérgio Moro, Michel Temerbroso, Dilma Roussef e Lula, estes dois últimos sempre como já condenados definitivamente. Assim nas páginas políticas convivem de bom grado julgadores e julgados, partidos e corruptos, delatores – tratados como heróis nacionais e não como criminosos. Uma concupiscência alarmante.

Pois o melhor noticiário político está mesmo é nas páginas de economia, negócios, bolsas e assemelhados. E eis que nela a gente fica sabendo que a FIESP VAI PAGAR O PATO. E não estou me referindo ao pato escultural, amarelo, surripiado do escultor sem qualquer ‘negociação privada’ que deverá valer, segundo o que desejam os empresários da Fiesp, mais do que a lei. Pois desta vez, a lei está do lado do autor do pato: a Fiesp vai pagar os direitos autorais do criador do pato usado para dizer que não vai pagar o pato.

Pagará mesmo é outro PATO: os economistas do futuro governo já começaram a apontar que no ajuste fiscal visado, a bolsa-empresário poderá deixar de existir. Imagine só, aqueles que tanto querem o desaparecimento da bolsa-família, cujo custo aos cofres públicos estaria, neste ano, na ordem de R$ 28 bilhões de reais! Realmente muito dinheiro para gente pobre… os manifestantes já disseram nas ruas, “não gaste meu dinheiro com os pobres”. Mas o PATO que pagamos até hoje é outro e distribuído entre todos nós: a bolsa-empresário que somente neste ano custará aos cofres públicos da bagatela de R$ 270 bilhões de reais!!!! Isto é que é pato, e ponha pato nisso!!! Tudo em isenções de impostos, em juros altamente subsidiados… e estes caras assim beneficiados têm a cara de pau de reclamar da bolsa-família… claro, não se pode gastar com pobres, só com ricos…

Pois Michel Temerbroso vem aí… trazido por eles!” E seus economistas, a maioria deles desejosos de beneficiar sempre o capital financeiro e não o capital produtivo, querem o ajuste! E vão taxar os ricos!!! Quem diria… se um governo de esquerda tentasse cobrar impostos (entre eles, os impostos sonegados) de ricos, haveria uma chiadeira geral, e dedos em riste chamando a todos estes atrevidos de ‘comunistas, reeditando a guerra fria com algum atraso (até que um atraso diminuto, perto do atraso mental daqueles que vão à rua dizer que não pagarão o pato ou daqueles que simbolicamente queimam o que acham que são bruxas – este pensamento medieval que quer nos comandar).

Bem feito! a FIESP pagará o PATO, e é dobrado o pato que pagarão: o pato amarelo e o pato dos juros e dos benefícios recebidos justamente do governo petista!!!!

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.