A escolha pela fila do SUS

Retiro passagem do editorial de Carta Capital de 13.09.2015 pois se trata de dados que merecem um máximo de atenção, embora nossos ‘representantes’ prefiram a fila do SUS a aumentar impostos dos ricos que os financiaram.

“Curto e grosso: a fila do SUS ou a CPMF?
 
Macas nos corredores, ou fim do sultanato rentista incrustrado na nação?
 
Não faltam argumentos a quem quiser promover o discernimento do nosso tempo.
 
Bancos pagam menos impostos no Brasil que o conjunto dos assalariados.
 
Aplicações financeiras mantidas por dois anos pagam 15% sem qualquer progressividade.
 
Lucros e dividendos recebidos por pessoa física gozam de isenção fiscal desde 1996, gentileza concedida pelo governo do PSDB aos endinheirados.
 
Tem muito mais.
 
Artimanhas contábeis permitem que um banco lance o pagamento de dividendos dissimulados em despesa de juros sobre o capital próprio.
 
Não pagam imposto com essa artimanha. E o acionista beneficiado paga só 15%.
 
O imposto sobre o patrimônio dos ricos contribui com menos de 1% do PIB na composição da receita total do Estado brasileiro.
 
Estamos falando da vida leve de gente que compõe um circuito pesado.
 
Aos fatos.
 
O 15º relatório do BCG, Global Wealth 2015: Winning the Growth Game, aponta que, no ano passado, o Brasil, possuía US$ 1,4 trilhão em riqueza privada, à frente do México (US$ 1,1 trilhão) e Chile (US$ 4 bilhões). ]
 
Até 2019, ou seja, ao final do governo Dilma –tudo o mais inalterado no sultanato rentista–  estima-se que a fortuna financeira atingirá US$ 2,9 trilhões (maior que o PIB brasileiro do ano passado, US$2,2 trilhões).”

 

João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.