Reportagem de Carta Maior – felizmente existe a imprensa alternativa – entrevista vários jovens que estão sendo processados pelo Ministério Público Eleitoral por terem feito doações de R$ 10,00; 20,00; 40,00 ou 50,00 reais a seus candidatos nas últimas eleições. Também estão sendo processados militantes voluntários que trabalharam gratuitamente em serviços de contabilidade ou de assessoria jurídica – o valor dos serviços foram arbitrados e considerados como doações! Recado: a militância gratuita está proibida pelo Ministério Público Eleitoral…
Os senhores procuradores eleitorais parece que não sabem que “o sistema de cruzamento de informações é burro”. Feito o cruzamento de informações do sistema eleitoral com a receita federal, chegaram à conclusão que todos aqueles que doaram estes enormes valores ou trabalharam gratuitamente, fizeram doações acima dos 10% de seus rendimentos, já que não fizeram declarações de imposto de renda!!!! Acontece que a burrice do sistema não poderia ter sido encorpada pelos procuradores, já que cada ação ajuizada individualiza os sujeitos e um procurador mais ou menos informado sabe que não fazer declaração de imposto de renda não significa não ter renda!
Como se sabe, existem poucos processos judiciais tramitando. É preciso aumentar a morosidade da justiça, com mais esta avalanche de processos absolutamente ridículos, senão pelos fundamentos juridicos, pelos valores ínfimos. Casualmente são jovens que estão sendo processados. Casualmente jovens militantes de partidos de esquerda!
Certamente não é ilegal que um candidato pague “portadores de bandeiras” em suas campanhas. Certamente não é ilegal que recebam doações grossas. Não foi o ministério público eleitoral que descobriu as contas na Suíça do grande prócer eleito presidente da Câmara com apoio dos impolutos parlamentares do grande PSDB! Acontece que o Ministério Público Eleitoral está muito ocupado com seus processos para mandar os recados aos jovens militantes, particularmente do PSOL e do PSTU: não façam política, vendam-se à realidade.
João Wanderley Geraldi é reconhecido pesquisador da linguística brasileira e formou gerações de professores em nosso país. Há já alguns anos iniciou esta carreira de cronista-blogueiro e foi juntando mais leitores e colaboradores. O nome de seu blog vem de sua obra mais importante, Portos de Passagem, um verdadeiro marco em nossa Educação, ao lado de O texto na sala de aula, A aula como acontecimento, entre outros. Como pesquisador, é um dos mais reconhecidos intérpretes e divulgadores da Obra de Mikhail Bakhtin no Brasil, tendo publicado inúmeros livros e artigos sobre a teoria do autor russo.

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